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Todo cuidado é pouco
27/11/2012 10:31:47

Instabilidade, incertezas, rupturas, custos não previstos, mercado inexplicável, este é o padrão que a história do business segue. Nós temos que reconhecer que simplesmente não sabemos o que o futuro nos reserva e que não podemos controlar os fatores externos às nossas empresas.

Dependendo da sua experiência, você pode estar se perguntando se esta é uma grande novidade. Eu respondo para você que, embora não sendo uma noticia bombástica, a maioria dos gestores parece ignorar que a melhor das atitudes para conduzir uma empresa é uma sadia paranoia aliada a uma disciplina espartana na análise de indicadores de desempenho, no cumprimento de padrões e na condução de projetos desdobrados em planos de ação.

E, por favor, tudo precisa estar escrito para facilitar a compreensão, a comunicação e a estruturação do pensamento. Quando as coisas vão para o papel, elas ficam sérias. Observe como o semblante de uma pessoa fica sério quando você pede que ela escreva de forma ordenada suas ideias em um pedaço de papel!
Em 15 anos de trabalho, 10 deles como consultor de empresas de médio e grande porte, nunca vi a regra do primeiro parágrafo ser quebrada. E a minha vivência é minúscula quando comparada com toneladas de dados que você pode encontrar em livros, bancos de dados e em outras fontes fidedignas que também demonstram que o padrão do primeiro parágrafo jamais foi violado.

E DAI? Dai, abandone premissas fracas, otimismo imbecil, frases de efeito idiotas e a busca desorganizada por mais. Não confunda a ambição legitima pelo crescimento com a promessa falsa feita por executivos e consultores que não passam de irresponsáveis ignorantes na arte que praticam (muito mal)!
Como não podemos prever o futuro, vamos criá-lo! Gostou da frase?  Mas cuidado, não caia na armadilha de ler uma frase solta de um grande pensador e sair fazendo afirmações sobre ela. Criar o futuro, na visão de mais meia dúzia de grandes pensadores da administração é reforçar o caixa, não correr riscos desnecessários, analisar muitos dados, gastar sola de sapato atrás de fatos que os concorrentes ignoram e que não estão nas telas dos computadores, ter contato mais do que próximo com os clientes, ser paranoico com custos e gerenciar diariamente os riscos.

É mais fácil, mas muito mais fácil, ser otimista, porque a maioria das pessoas adoram pessoas otimistas, sorridentes e que lhes vendem um futuro risonho, repleto de vendas e de lucros. Mas, como sempre, as melhores coisas da vida estão nos acessos mais difíceis, onde poucos se arriscam e onde o otimismo idiota dá lugar à previsões mais sisudas. O ambiente nestes lugares nãos é tão risonho, mas é real. O local alegre das previsões fáceis e otimistas sempre acaba em choro, demissões e outras porcarias. O ambiente da paranoia sadia e do "todo cuidado é pouco" sempre acaba em uma feliz comemoração de final de ano, com metas batidas consistentemente e onde o descontrole externo é amenizado pela organização interna.

Se tiver que perder, perca um pouco de vendas e até mesmo algumas oportunidades, mas não perca a empresa. Eu e a história do business nunca vimos este comportamento comedido gerar maus resultados.

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